Haicai Guilhermino
Casualidade
Um choro ao acaso.
No balde, será debalde?
Lágrima no ocaso.
Oito Patas
Pequena castanha,
no muro, em meio ao escuro,
sob o olhar da aranha.
Infância
Reflexo e esperança,
de verde, na alma alviverde,
no olhar da criança.
Leve Aroma
Em nuvem sem peso,
com graça, cheira a fumaça,
meu cachimbo aceso.
Último Suspiro
Foice de verdade,
da morte, um golpe de sorte...
Foi-se a flor da idade.
Idade Avançada
Sob um velho galho...
na cinza, um velho ranzinza,
dorme no carvalho.
A Astromante
Na casa do conde...
Ah, amante, mera astromante!
Só no esconde-esconde.
Reflexo
Numa poça, a lua?
Ah, Castro, ante a casa um astro,
só a luz da rua.
Horóscopo
Eis um bom cenário,
no céu, sobre meu chapéu,
astro em sagitário.
O Cadáver
Sobre a carne, um verme?
Ah frio, só calafrio,
no olhar de Guilherme.
Em Contato
Num toque de amor.
Em pétala, sobre a sépala...
Lá vai o beija-flor.
O Apito
Em ecos do além...
No trilho, pobre novilho,
ante o som do trem.
A Dor
Velho e bom Camargo.
No pifre, em dores de chifre...
Tocou um dó amargo.
E Agora?
Mas será o sol?
No lago, um reflexo vago...
Talvez girassol.
O Astro
Eis a lua, Castro.
Na ponta que a luz desponta...
No galho, um só astro.
No Telescópio
Sobre o céu noturno,
no astro, tão somente um rastro,
da lua em Saturno.
Nonsense
Girar pra quê, Moinho?
Sem vento, não há cata-vento:
Disse o redemoinho...
Impermanência
Astro em vão no céu...
Cadente, no sol poente,
se vai em tom de véu.
O Conselho
Bem dito para ela —
Na flor, há um quê de dor.
Bom pra Daniela.
Calma Alma
Só houve um conselho —
Acalma, tenha paz na alma.
Só ouve seu espelho.
O Nome
Humilde cadela
Um nome, sem ser pronome?
Por que Gabriela?
O Nome II
Por que Doravante?
Com arte, um nome vou dar-te,
de agora em diante.
No Barranco
Em meio às casas...
no banco, pinto o barranco,
em toque de brasas.
O Tempo
Agora, ouve o tempo...
Que pisa, ao som da brisa.
Agora, houve o tempo.
Realidade
São todos escravos?
Embarco, no mesmo barco,
ao som dos bravos.
Mérito
Mérito ao alcance?
Rainha, todos na linha...
Vá, e não se canse!
A Pintura
Luzes na aquarela...
Um sol, sobre o girassol,
na réstia amarela.
Outono
Outono em poente...
No espelho, de tom vermelho,
o astro decadente.
A Colheita
Sob o céu de chuva...
Com fé, num caminho a pé,
vou lá, colher a uva.
Trabalho
Em golpes de enxada,
no chão, com suor e pão,
sementes pra estrada.
Por Acaso
Também foi de Vasco,
vassalo, sobre o cavalo,
ao som de um casco.
Por Acássio
Um sol por acaso?
Bom Cássio, um velho palácio,
não surge ao ocaso.
O Verbo
Com palavra, o verbo...
De língua, ao som que míngua,
um velho soberbo.
O Dom
Foi com a colher,
que bom, o sabor do dom...
Só com a mulher.
Formiga
Uma nova amiga,
em cena, jaz a pequena
e grande formiga.
A Cobra
Cobra sobre um galho,
em som, no mais alto tom,
toca seu chocalho.
Primavera
Na estação do além,
só Vera, na primavera,
algures no trem.
Prima Vera
Bela prima Vera,
com flores, cheia de amores,
numa primavera.
O Chá
Ah, pequeno Pedro!
Em rima, numa alto estima,
tomou o chá de cedro.
Galvão
No olhar de Galvão,
na trave, a bola suave...
Por um gol em vão.
Excelentes haicais, Claudeir! Parabéns!!!
ResponderExcluirP.A.R.A.B.É.N.S pelo trabalho!!!
ResponderExcluirJá gostei+ supimpaaaaaa... Parabéns haijin
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